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20 de fevereiro de 2010

Meu nome é Calcanhar.

               Tenho vários calcanhares.  Emprego essa referência mitológica narrada na "Ilíada" homérica da antiguidade grega para entender onde fica a realidade perto da minha imaginação.  Curioso que esse poema valoriza sobremaneira a cólera do herói, porém foi o seu "calcanhar" que a História imortalizou.
               Se o ponto fraco era relatado como “Aquiles de rápidos calcanhares”, ou seja, sua fraqueza estava associada à rapidez na sua utilização, aqui dispenso o uso de velocidade para falar de meus próprios pontos fracos.
               Exercito-me, disciplinadamente,  diante do  impulso violento do herói grego e os sentimentos que o acompanha, assumindo minha numerosa coleção de defeitos, que conheço grande parte pelo próprio nome.
              Mesmo sabendo de todos os riscos que corro, esvazio-me da vaidade,  retiro a fantasia da soberba e decido sempre pela verdade, seja qual for. Exibo-me pelos calcanhares que nasci e outros todos que a vida se encarregou em adicionar-me.
               Nesses dias, toda a minha história pessoal vem à tona. Lembro os desafios que não tive outra saída senão superá-los, quando possível. Relembro os duelos desarmados que, como na lendária Tróia,   sou posto à prova e à provação, fora os tantos ainda que faltam involuntariamente enfrentar. Meu calcanhar, nessas horas, é um medo imenso que sempre vem diante do julgamento dos outros que sabem ferir e deixam sangrar. Outro é um sentimento de culpa que escapa quando a faixa amarela me impede de cumprir plenamente os compromissos que me são  dados. Vem também um tanto de frustração quando não atendo todas as expectativas de quem espera o que não possuo a mão. Mas, sem dúvida, o mais vulnerável de todos os outros meus tantos calcanhares, é a sensação que chega quando olho para frente e honestamente assumo, para mim mesmo, que sou falho e que posso não conseguir, dessa vez ou não mais.
               Meus calcanhares nunca me envergonharam. Sei que fraqueza não se associa diretamente a fuga e muito menos a covardia. O que me faz colocar um “plástico na cabeça” é descaradamente ignorar as flechas certeiras que cumprem, como no mito, o papel  de lembrar a um herói que sempre haverá  nele um “calcanhar” apenas humano.

10 comentários:

A.M.A disse...

Não poderia esperar menos.....lindo como o dono....a obra e seu autor..

O Leão da Montanha disse...

Olá, querido professor Jairo. A história é muito importante para a evolução da nossa cultura. Seu blog está muito legal e o texto é rico em elegância e possui uma diretriz muito cativante.

É uma honra para o mundo virtual ter um blog feito por ti.

Abraços e fique com Deus

andreia disse...

Nossa,como é bom ler bons textos....rs
Impressionante como vc usa as palavras com uma perfeição mesmo que ainda seja pra assumir seus pontos fracos...
De Aquiles vc não tem nda vc é um Hércules rsrsrs
Te adoro
(sua amiga paulistinha)

Neeymahr Oliveira disse...

Você comentou uma postangem minha citando Voltaire ... hoje em dia a respeito da agonia de Voltaire pouco se comenta, não é verdade?

Mas a glória de suas maximas estão eternizadas, tenho mais uma, não tão inteligente ou bem posicionada como você colocou, porém ai vai.

"As paixões são como vendavais que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vozes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas."

Chris disse...

Decididamente calcanhares nos apoiam ou tombam, é preciso estar atento porque num caso ou noutro normalmente temos muito a ver com isso, ou quase tudo! Que possamos então aprender a balançar e não cair, nunca!!! Bjsssssssssss

leomatematica disse...

Postar um comentário??? Diria, "sem comentários"...Simples, coeso, argumentativo, filosófico, denunciante, vital.... e mais tantos outros adjetivos.....Muito bacana!!!

Calcanhar de Aquiles disse...

Recado para leomatematica
Se puder mande seu email para mantermos contato.
Meu endereço eletrônico: jairolim@hotmail.com
Obrigado amigo.

Márcia disse...

Eu consigo salivar, fechar os olhos e ouvir as palavras que você escreve... Fraquezas... Quem não as tem??? Aquiles que o diga!
Não posso ignorar as flechas porque elas são muitas e sempre vão me lembrar um certo Aquiles que vive em mim e tenho certeza de que não é um mito.
Seria Redundante dizer que A DO REI ???
Continue nos agraciando com essas palavras que funcionam como flechas certeiras!
Um xêro!!

latinolinndo disse...

mUIto bom caro amigo vc posta coisas boa para ler muito bom valeu!!!!!!!

Beatriz disse...

=) bela explanação sobre o pseudônimo adotado!