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6 de abril de 2010

Ser diferente é que são elas.

               A diferença custa muito caro e o seu preço é imensurável. Repousar em verdades dogmatizadas pelo “senso comum” é muito mais confortável que se exercitar no desafio diário de ser o que se é, em nome de uma verdade sem máscara, seja ela qual for.
               Historicamente, a contemporaneidade se esforçou, e muito, para uniformizar as diferenças. A padronização tendeu moldar as semelhanças e minimizar o que diverge. Essa massificação do indivíduo reforçou, na prática, a imobilidade e acomodação.
               Diante da diferença, estar entre os pares é mais espontâneo que entre os ímpares, negar-se é mais rápido que se revelar, repetir é mais cômodo que permitir e aprisionar-se é muito mais comum que se libertar.
                Na matemática a diferença está associada à subtração, ao inverso da soma e ao sinal de menos. Curioso que o elemento neutro na adição é sempre o zero, que somente é válido para a soma e nunca para a subtração.
               Cabe registrar, ainda,  que nas operações de soma ou subtração prevalecem sempre o valor maior, ou seja, a maioria. Já na multiplicação e divisão a regra dos sinais é implacável: mais com mais dá mais, menos com menos dá mais, porém mais com menos dá menos.
                Se, ainda na ciência exata, a ordem dos fatores não altera o produto, como também a ordem das parcelas não altera a soma, o mesmo não acontece quando efetuamos a subtração. Nessa operação, quando o minuendo não é maior que o subtraendo o resultado além de ficar negativo é chamado de resto.
               Já nas Letras o “outro”, aquele que difere, tem sido adjetivado seja, no grau comparativo e superlativo, o que socialmente além de um terrível equívoco é, sobretudo inconstitucional.
               Exige-se de quem é muito diferente (grau superlativo absoluto analítico). A maioria considera-se melhor que a minoria (grau comparativo de superioridade).  O distinto é menos compreendido que o equivalente (grau comparativo de inferioridade). Antecipadamente foi excluidíssimo (grau superlativo absoluto sintético). Pior que esses exemplos é a mais cruel e covarde realidade de quem escapa de padrões sociais rigidamente estabelecidos.
                A equivalência pouco comporta a divergência e todas as inúmeras possibilidades. O que é diverso, mudado, distinto e variado, exige, na prática, legitimidade e inclusão, sem distinção sempre.
                A diversidade humana, múltipla e complexa, é ao mesmo tempo plural e singular. Potencialmente, a diferença é capaz de somar, acrescentar, ou melhor, complementar. Na prática, muitas vezes, o resultado dessa equação da vida é desumano: anulação, eliminação e exclusão.
               Ser diferente traz, geralmente, a fatura da dessemelhança, do afastamento, do desvio e da oposição, entre tantos outros. O alto custo é gerado pelo índice do pavor da mudança, do risco da alteração e da dimensão que a discordância alcança.
               A diferença vem acompanhada da destemida aventura em não condizer, em livrar-se das proporções permitidas e pela coragem em não se harmonizar no que já está definido e pronto.
               Enquanto a semelhança acompanha o pertencimento, a diferença enfrenta a aceitação. Se a semelhança acomoda a maioria, a diferença disfarça a incógnita. Estar semelhante, cá entre nós, é bem mais fácil, já ser diferente é que são elas.

7 comentários:

Poderus disse...

Simplesmente adorável....De uma excelentíssima(superlativando..rs) qualidade!

bjus!

Silvio disse...

Nossa!!!!!!!!!!!!!!!! Eu como professor da área acho que está perfeito................................................................................................................................................................................................................

Calcanhar de Aquiles disse...

Sílvio, a maior lição que aprendo com você não é somente a matemática, mas é principalmente sobre a vida.

Ronaldo disse...

Em uma única palavra? EXCELENTÍSSIMO! Parabéns!

Márcia disse...

Mais que ser diferente, é saber fazer a diferença, e isso meu amigo, poucos conseguem!
Ser semelhante, é muitas vezes, uma capa pra esconder uma mediocridade de não ter coragem de ser diferente e fazer a diferença! Nesses casos, ser semelhante é não saber mostrar-se com dignidade, sabedoria e coragem!
Afinal, quem não é diferente???! Atire a primeira pedra!
Um xero no coração de quem sabe usar as palavras na hora certa e encaixá-la no lugar certo.

Silvio disse...

Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

Não é tão perfeito como o seu!!!!!!!!! BJUS

Tia Chica disse...

Acho que as pessoas vêm até melhorando um pouco no sentido de lidar com as diferenças. Mas não porque o ser humano mudou. Na minha opinião, há muito discurso, mas na prática mesmo, na hora de enxergar de outra maneira, de compreender, de raciocinar, de aceitar de fato, as pessoas ainda têm uma certa dificuldade. Isso eu digo em relação a qualquer tipo de diferença. O que vem acontecendo com mais frequência, na minha opinião, é que quem é de alguma forma diferente da maioria está começando a se cansar de sempre se acomodar, sujeitar-se e esconder-se de uma maioria que insiste em não raciocinar e sustentar sempre os mesmos preconceitos sem pé nem cabeça. Então, a partir do momento em que a minoria recusar-se a se submeter à maioria, a bater de frente mesmo, a situação toma outra forma; as pessoas são obrigadas a se confrontar com as diferenças, a aprender a lidar com elas de outra forma. Quando a minoria passa a "meter a cara", mostrar que não deve e não teme e que está disposta a buscar, com respeito, sua dignidade diante dos outros, aí sim que começa a se dar a verdadeira mudança.